Se você é pernambucano como eu, ou mesmo se não é, mas faz uso com frequência de nossas vias e rodovias, já percebeu um aumento significativo na quantidade de veículos transitando por elas. De acordo com o site da BDE/PE (Base de Dados do Estado), só a cidade do Recife possui uma frota de mais de 712 mil veículos de todos os tipos. Estamos falando apenas do Recife. Some-se a esse número as frotas das cidades circunvizinhas e está “feita a bagaceira”. Além dessa enorme quantidade de veículos, as condições das vias públicas, não apenas da capital, mas das adjacências (Olinda, Paulista, Jaboatão…), são de péssima qualidade. As estradas são mal sinalizadas e a maioria é recheada de buracos. Sem contar na violência do trânsito, onde ninguém respeita ninguém e prevalece a lei do mais forte, ou seja, do maior veículo. Transitar nas ruas da Região Metropolitana do Recife é um desafio diário, e se for em horário de pico, multiplique o desafio por dois (ou três).

 

Incentivado por esse cenário caótico, pela pandemia do Coronavírus e pelos preços excessivos dos combustíveis, um modal de transporte desponta de forma exponencial: a bicicleta. Estima-se que apenas no Recife circulam cerca de 4.000 a 6.000 – segundo a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), sendo mais de 70% desse total pessoas que a utilizam para trabalhar. Além disso, o número de adeptos à prática do ciclismo como esporte tem aumentado expressivamente. Pedalando em grupos ou individualmente os participantes desse esporte cruzam as rodovias que ligam uma cidade à outra, passando por estradas locais, estaduais e federais. Como adepto desse esporte, em minhas andanças estrada afora, percebi uma série de obstáculos pelas estradas

 

Diante disso resolvemos apresentar a série de publicações “Imobilidade Urbana”, com temas relacionados a esse contexto. Para não tornar o conteúdo cansativo, iremos dividir esse tema em tantas publicações quantas forem necessárias para que você, caro leitor, fique informado, mas não enfadado com nossos posts.

Em nossa primeira aventura pelas ruas do Grande Recife, iremos falar um pouco sobre as ciclovias.

Hoje, na cidade do Recife, existe cerca de 150 km de malha cicloviária, entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. No entanto, as cidades vizinhas e as vias de acesso não possuem uma infraestrutura adequada para esse nicho, principalmente as cidades da Zona Norte (Olinda, Paulista, Abreu e Lima…). Para se deslocar da Zona Norte até o Recife, o ciclista precisa trafegar por vias estaduais (PE-01, PE-22 e PE-15) e essas são as que oferecem mais riscos, pois são vias bastante movimentadas e suas ciclovias ou estão em péssimas condições ou simplesmente não existem. Vamos conhecer alguns trechos dessas rodovias que estão em péssimo estado e outros em que há um grande risco de acidentes por não haver ciclovia ou área de recuo (acostamento).

Pontos críticos da rodovia PE-22

A PE-22 é a rodovia estadual que faz a ligação do centro de Paulista com os bairros que se localizam na direção das praias (Maranguape I e II, Alameda Paulista, Jaguarana, Engenho Maranguape, Nossa Senhora do Ó, conceição e Maria Farinha). A expansão imobiliária dessa área fez com que o fluxo de veículos aumentasse consideravelmente. Para completar, essa via não possui uma faixa exclusiva sequer e nem tampouco acostamento. Existem, porém, alguns pontos mais críticos, os quais iremos destacar.

  • Viaduto que liga a PE 22 à via de acesso para a Estrada do Frio (próximo ao supermercado Atacadão). Via sem acostamento onde o ciclista precisa dividir o espaço com os outros veículos.

Viaduto PE-22

 

  • Girador de Maranguape I – Local sem acostamento e com um fluxo de veículos constante, inclusive cruzando a via.

girador

 

  • Trecho entre a ponte do Condomínio Horizontal e o sinal do Supermercado Todo Dia (sentido subúrbio/cidade) – área sem acostamento e meio-fio muito alto, deixando o ciclista sem área de escape.

Alameda

 

  • Curva próxima à subestação da Celpe (Maranguape II) – Os carros passam muito próximos ao canto da pista fazendo com que o ciclista tenha atenção redobrada ao passar por esse trecho.

Curva Celpe

 

  • Trecho entre o sinal do Engenho Maranguape até a Entrada da Jaguarana (ambas as faixas) – Não possui acostamento e quando chove a água empoça em algumas áreas, obrigando o ciclista a se deslocar para o meio da via.

sinal

 

  • Centro Comercial de Nossa Senhora do Ó – Especialmente aos domingos o trânsito é muito intenso e os motoristas não respeitam os ciclistas, principalmente se for No período entre 10h e 13h, quando os supermercados e lojas estão com movimento de pessoas mais intenso.

Conceição

 

Além de tudo isso, existem alguns pontos em que o asfalto está com buracos nos cantos da pista, requerendo atenção para não haver nenhum incidente, especialmente ao pedalar à noite.

Existe um projeto do atual prefeito da cidade, Yves Ribeiro, de implantar ciclovias na cidade. Resta saber como fazer para implantar nessa rodovia em especial, pois existem trechos onde a há um estreitamento maior e ainda outros onde há imóveis margeando a pista. Se você é da cidade e conhece outros pontos que não foram citados nesse artigo, fique à vontade para comentar e compartilhar conosco. A comunidade ciclista agradece.

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